terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Fluxo livre de mim e minhas centopéias cardíacas.

ir e vir. será que tudo é assim? será que tudo tem este poder de retornar?

Você me convidou para dançar. Eu fui. Fui como muitas outras vezes em que já bailei com muitos outros rapazes. Mas, de repente, lá estava você. Um você de agora, com resquícios de outro você de outrora, mas você. De repente me vi neste novo seu que, junto de mim, começava naquele momento a formular este novo eu que, hoje, enfrento. Eu não sabia. Quase que Cinderela não vai ao baile. óh céus.

pergunto. respondo. faço jogos comigo mesmo. me testo. indago. reclamo. revejo. torço. fumo. fumo um cigarro atrás do outro. só eu sei como eu me sinto. mais ninguém. a dóris disse que é amor. pergunto. respondo. faço jogos comigo mesmo. me testo. indago. reclamo. revejo. torço. fumo. fumo um cigarro atrás do outro.

lembro. eu lembro do seu cheiro, da sua ternura, das suas carícias. isso é pavlovsky. para não deixar de fazer a referência. até ele. ele, eu e você.

eu queria poder lhe dizer todas essas coisas que, agora, eu sinto. isso sou eu, é o coelho, é caco. até ele. ele, eu e você. até nisso. nisso tudo do vejo, faço, pergunto, respondo e fumo.

as pessoas querem falar sobre. eu não. eu quero sentir sobre. o peso, os braços e mais um abraço. quero não controlar, ser ousado. quero não perder meus sapatinhos e, com isso, deixar de, mais uma vez, ir ao baile.

meu corpo sabe e sofre a pasta de dente de suas gengivas. o sabor diferente de suas bebidas. a pouca cerra de sua barba, comparada com a minha, é claro. a mesmice de suas cores. a exuberância de suas palavras. meu corpo em ti, nosso território.

quantos navios eu precisaria para me tornar quem hoje sou?
quantas pontes, viagens e arrebatamentos?
quantos filhos destes todos que já deixamos pelo mundo, pelas esquinas?
quantas indas e vindas? quantas ondas?

eu não sei fazer poesia.
e o meu riso frouxo.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

diploma.

eu não sei explicar. ainda não consegui encontrar a melhor forma de. é mais ou menos assim: tendo você em meus braços e, por consequência, você me tendo nos seus, tudo se modifica. é como se você coubesse em mim, dentro de mim. não falo de sexo e nem de tesão. falo sobre matemática, sobre encaixe e somatória. é conta fácil de se fazer. é como se as minhas dobras fossem a ocupação perfeita de suas lacunas e vice-versa. é mais ou menos por aí como é mais ou menos assim. é que giramos tanto que, em algum lugar, eu perdi os sentidos e, de fato, me pareceu estar sonhando. não com contos de fadas, mas com a vida real. com o que quero e procuro produzir nela e para ela. para mim. eu não sei explicar. mas é mais ou menos assim.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Livreto.

como uma casa sem dono e sem cachorro.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

EU QUERIA PODER TRANSBORDAR PARA VOCÊ SENTIR.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Congelamento líquido:

Não sei o que decidir sobre a sexta-feira desta semana.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Para variar: estamos:

Estamos, aos poucos, descobrindo o que fazer com a CASA. estamos tateando o seu lugar, o espaço que ela ocupa em cada um e também dentro dela mesma. estamos tentando dizer, tentando amar, tentando dar nome ao que dentro é grito. estamos dançando, cavando buracos no ar, feitos chicletes que, quando em bola, explodem sem aviso. estamos abrindo mão de algumas crenças, aceitando outros sabores e assuntos. estamos tentando lidar com a falta de alguns, com a nova presença de outros e também com a saudade. cada canto, cada estante, cada armário fala e chora pelo coelho. mas que coelho é esse? que lugar ele ocupa e que tanto choro ele promove? talvez, a resposta esteja nas girafas e não no coelho. estamos caminhando descalços para sentir melhor o piso que ainda não sabemos se é tábua corrida ou pedra trabalhada. estamos olhando para as paredes, curtindo suas manchas e variações do tempo. estamos tendo idéias, pensando em ampliar as janelas e diminuir as portas. estamos pensando a CASA como indivíduo, como abrigo maior para uma série de novos e indecifráveis abrigos. estamos andando de biclicleta, patinete, velocípede e, as vezes, engatinhando. estamos, de fato, comendo cofres, gavetas, talheres e todo e qualquer objeto terminado em dor. estamos pensando em fotografias que se desfazem, útero, brasa, nascimento e morte. estamos estruturando três idades, três momentos com cortes transversais. estamos crescendo e amando este novo ser que vamos apresentar ao mundo. em breve.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Os meus amores

Os meus atores são armas que escolhi para vencer a guerra. Os meus atores são as mãos que acolhem o rosto da minha mais pura dor. Os meus atores são música, movimento, grito e tormento. São os meus atores reflexo da minha imagem. Os meus atores são as vozes, os gemidos e pedidos do meu armário de vestidos. São os meus atores a fonte viva da minha angústia e prazer. Os meus atores são meus filhos, meus primos, meus pais, minha família escolhida, meu feto já desenvolvido, crescido. Os meus atores são o suor que dão certeza ao chão onde pisamos. São os meus atores o cimento, a tinta, o cansaço... São os meus atores tudo aquilo que vem depois da vontade. Os meus atores são o que virá depois, o que está no entre: como quando conseguimos dar conta do tamanho do mundo. São os meus atores meus maridos, minhas mulheres, meu casamento mais afetado. Os meus atores são presas, árvores, pássaros, são as pétalas de rosa mais fedorentas e valorosas do mercado. São os meus atores a chama que não se apaga, o clichê que é proclamado, vivido e bem-querido. Os meus atores são parte do vento. Os meus atores são a boca ou as bocas que engolem o vômito, que insistem em ter certeza, que buscam a precisão. São os meus atores os que mais sabem, os que mais inventam, os que mais lamentam e discutem. Os meus atores são o maior congresso de opiniões onde a palavra conclusão chega sempre atrasada. São os meus atores uns bobos e, por isso, belos, divertidos e destemidos. Os meus atores são crianças de salto alto, paletó, brincando de médico com a concha do feijão na mão. Deixa a gente ouvir seu coração. São os meus atores os palhaços, os comediantes da praça, os trovadores, os vendidos, os melodramáticos, os realistas, os naturalistas e os exagerados. Os meus atores são prática e teoria, união da mesa com a cena. São os meus atores a cara do meu processo, as luvas da luta, o sorvete gelado que dá dor no dente da frente. São os meus atores um pedido de atenção e carinho. Os meus atores são texto ao pé dou ouvido, a encarnação de Zeus e a apropriação do polvo e seus tentátuculos, todos. São os meus atores o que são. Os meus atores são escolhas nossas. Tenho certeza do que digo. Como quando não suspeito de quem caminha comigo.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Eco.

eu não sei mais como pode ser.
não sei mais como será.
só sei que em pouco tempo.
será preciso dizer.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

hein?

será que todo novo beijo trará consigo a promessa do brotar de bolhas?

sábado, 24 de julho de 2010

Mais uma vez:

ver você mais uma vez. tê-lo em meus braços mais uma vez. pensar em todos os momentos vividos e também nos que foram esquecidos, com o tempo. mais uma vez encarar seus olhos, seus lábios e nariz. mais uma vez deitar na cama que a cor do lençol ajudei a escolher. mais uma vez redescobrir seu corpo, redescobrir meu corpo em contato com o seu. que som tem? "tem batom no dente, tem batom no dente."mais uma vez pisar no chão, pensar em gato, gaveta e graviola. mais uma vez ver o sorriso feliz e aberto da menina do cabelo torto que tanto torce para o nosso bem viver, juntos. mais uma vez todas aquelas roupas, pedaços de fitas e botões. mais uma vez os palhaços a me espiar fazendo xixi. o verde azulejo velho amigo das panelas e pia. escadas, muitas escadas. o cigarro que é fumado...curtido. mais uma vez encontrar em mim a vontade que tenho de viver, de entrar no taxi pensando que o mundo pode dar certo. devaneios. pensar, pensar, pensar....pensar para muito pensar e mais uma vez descer a ladeira correndo, na chuva, sem medo de molhar ou arrebentar as botuchas. quantos anos temos? quantos anos ainda temos? todo o formato de pensamento aprisionado na curva de meus olhos. uma montanha bem grande, dourada. um coração e muitos balões. ou melhor, só um balão vermelho. um só. mais uma vez.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Tenho:

eu tenho. tenho ciúme dos meus filhos.

sábado, 10 de julho de 2010

Eu só queria que você:

Eu só queria que você cruzasse a esquina e gritasse que me ama. eu só queria que você ousasse me dizer que está tudo bem, que tudo vai passar. eu só queria que você me convidasse para tomar um sorvete na praia, vendo o por do sol. eu só queria que você fingisse, por instantes precisos, que eu sou o homem da sua vida. eu só queria que você cruzasse a esquina e e gritasse que sem o meu corpo você se perdeu e a cama chora o terror de nossas brigas. eu só queria que você me abraçasse os postes do aterro do flamengo. eu só queria que você estivesse presente na nossa estreia e, depois, me convidasse para tomar alguma coisa. até mesmo água eu aceitaria. eu só queria que você soubesse que lhe escrevo todos os dias, mas escolho os textos mais ruins para publicar aqui nesta minha faceta virtual. eu só queria que você quisesse ter um filho, três ou quatro tucanos e uma girafa. mas você ainda sente a falta do coelho. eu compreendo. eu só queria que você não perdesse nossos compromissos, que comprasse uma agenda, que se lembrasse do chá que combinamos e ainda não aquecemos a garganta. eu só queria que você me cantasse as mais lindas canções de amor. eu só queria que você vestisse sapatos verdes e o todo o resto preto. eu só queria que você segurasse minha mão.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Oquei.

Eu não sei ainda o que, de fato, lhe disse.
Eu devo ter pirado ou coisa parecida.
Faz mal não, coração.
Tudo se arruma.



espero.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Apareçam!



ps: chegar meia hora antes para a distribuição de senhas!

segunda-feira, 5 de julho de 2010

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Acontece

Acontece do coração ser terra de malboro.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Depois que você apagou as luzes:

depois de ouvir você falar. depois de ver a falicidade que se encerra em seus olhos. depois de constatar que você precisa passar por coisas que eu já passei. depois de ver você buscar coragem e palavras certas para tentar descrever o que agora sente. depois de dividir tantas cervejas. depois de ter a certeza que neste momento você jamais poderia ser meu. depois de sentir no meu corpo a falta que você me faz. depois de saber que entre o meu sentimento e você o espaço abriga um abismo. depois de notar que você pode e deve ir embora sempre que precisar. depois de me sentir pequeno e orgulhoso ao seu lado. depois de fazer ouvido e não mais fala. depois de me esforçar para expressar, tamanha minha atenção e gosto. depois de analisar as circunstâncias. depois de sacar os novos ares, ligações e sorrisos. depois de encarar meu medo. depois de me despir por inteiro. depois de aceitar mudanças, rever conceitos. depois de decidir remoer sozinho os meus sentimentos. depois de negar o meu desejo em razão de sua (nossa) felicidade. depois de não saber mais o que dizer. depois de ter certeza de como agir. depois de condicionar meus próximos movimentos e afetos. depois de abraçar você todos os dias. depois de subir as ávores. depois de comprar frutas. depois de andar de patins. depois de muito pensar. depois de muito ouvir músicas. depois de muito te procurar em mim. depois de tudo. depois deste novo começo de fim. depois das regras já declaradas. depois da cortina aberta. depois da verdade escancarada. depois do segredo dividido. depois do riso sem graça, no canto da boca. depois da minha voz de gralha, meu corpo de faquir e meus cabelos grisalhos. depois de não poder lhe oferecer casa, comida e roupa lavada. depois de ter a ciência da bondade que engloba minhas vontades. depois de me ver até como seu pai. depois de pensar em fotos, filmes e produzir nossas lembranças. depois de tanta, tanta dança. depois de ontem. depois daquela rua. depois daquela vila. depois do conto. depois da vírgula, ainda não é ponto. depois de pensar, muitas vezes, em ter você. depois do acontecido. depois dessa nova dor de amor. depois dos cegos do castelo. depois da casa-pré-fabricada. depois do salão. depois do chá e da festa. depois de você me dizer com simples palavras o que eu precisava ouvir. depois de assassinar meu medo. depois de desarrumar o quarto. depois de me virar do avesso. depois de saber o seu preço. depois de tudo, de tanta paixão...ainda me sobram todos os escritos que estão por vir.

pequena indagação.

E se fosse comigo, como seria?

domingo, 20 de junho de 2010

Miúda.

faz pouco tempo você nasceu. gosto de lher ver assim puequenina, ensaiando seus primeiros passos. gosto de lhe ver cheia de vida e vontade de aprender. gosto de lhe ver, sobretudo, quando ri abrindo a boca, mostrando os dentes. faz pouco tempo você nasceu, mas preciso dizer que a muito esperávamos por sua chegada. muito pensamos, discutimos, elaboramos para que você pudesse ter a chance de adentrar um lar estruturado. na verdade, você agora é o nosso lar. o que podemos chamar de CASA. o que melhor interpreta e impõe sentido ao que chamamos de trabalho. faz pouco tempo você nasceu nós já estamos pensando em seu futuro, sua identidade e vontade. estamos pensando nos seus quereres, em como mostrar sua grandiosidade. espero que você goste das coisas que, aos poucos, conhecerá. estou feliz com o seu nascimento.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Admitir que nesse momento não há tempo para o amor. E nem para as grandes paixões. quando nos apaixonamos.



Robert Polidori

abraça-(me-te) 500.3

me abraço para te encontrar. te abraço para me encontrar. em meus braços, você se encontra. em seus braços, eu me encontro. me abraço para me encontrar. te abraço para te encontrar. nos abraçamos para, juntos, acharmos uma saída, uma resposta, uma palavra, algo que re-signifique o momento de nosso encontro. nos abraçamos nus. ocupamos áreas urbanas, pontos de complexos fluxos de linhas e pessoas. nos abraçamos para estagnar o instante e o afeto. e é a repetição deste nosso "movimentoencontro" o que nos move para, mais uma vez, nos realocar. encontrar encaixes, novas possibilidades e derrubar fronteiras. sou eu mais você. o nosso corpo atravessado que se povoa da sensualidade que nos habita quando estamos juntos. me abraço para ter certeza de que em meus braços você se fará conforto. te abraço para confirmar presença humana para além de meus braços. me abraço porque não posso e não quero sozinho. te abraço em busca de caminho. nos abraçamos e cruzamos sinais, ruas, avenidas, alamedas, plataformas, viadutos, estradas, autoestradas, elevados, pontes, passarelas, trilhos, vielas, travessas, ruelas, monumentos, praças, largos, parques, campos, jardins, arcos, pórticos, portais, vilas, condomínios, bairros, esquinas, calçadas, corredores, pistas, orlas, vãos, túneis, passagens, passagens subterrâneas, aterros, pátios, estacionamentos, marginais, becos, teleféricos... atravessamos lugares e neles nos abraçamos. abraço-(me-te) para sobreviver. para dar validade as horas que passamos juntos. para lembrar do amor que sinto por ti. por isso, por esta razão é que também te abraço. abraço-(me-te) para me sentir seguro, para continuar, para ficar no entre, para me perder: te encontrar. me abraço te abraçando e te abraçando me abraço. me encontro porque te encontro. abraço-(me-te) porque asssim, e só assim, me reconheço.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Eu preciso que você esteja aqui porque:

eu preciso que você esteja aqui porque você se tornou importante. muito importante. eu preciso que você esteja aqui porque, talvez, sem a sua presença as coisas percam o sentido. eu preciso que você esteja aqui porque ao seu lado eu me sinto mais seguro. minto. eu me sinto acompanhado. eu preciso que você esteja aqui para que possamos trocar de assunto muitas vezes, como sempre fazemos. eu preciso que você esteja aqui porque preciso ouvir suas críticas. suas lamúrias e conflitos. eu preciso que você esteja aqui porque sinto uma falta filha-da-puta de você quando o vejo atravessar a rua. eu preciso disso: você. eu preciso que você esteja aqui porque nosso sorvete de limão pode derreter e suco de laranja com acerola só tem graça se for com você. eu preciso que você esteja aqui porque não sei alimentar o cão, comprar o jornal, nem limpar nossos sapatos. eu preciso que você esteja aqui porque, as vezes, eu preciso sair e tenho receio de deixar as coisas sozinhas. eu preciso disso: você. eu preciso que você esteja aqui porque eu comi demais e acho que não vou passar bem essa noite. eu preciso, e isso é sério, que você esteja aqui porque eu não aprendi ainda a mexer no telefone sem-fio novo e tem mais de 13 recados na secretária eletrônica. estou me rasgando de curiosidade. eu preciso que você esteja aqui para sanar minhas dúvidas, me explicar a lição, me amar bandido e me fazer, depois, servir seu café fresco em copo-requeijão. eu preciso que você esteja aqui porque seus livros chegaram e as estantes já estão abarrotadas. precisamos, juntos, fazer uma limpa. e é também por isso que eu preciso que você esteja aqui. eu queria parar de fumar um dia. eu preciso que você esteja aqui porque eu quero lhe dizer umas coisas que li ontem em um livro sobre elefantes e sofás. eu preciso que você esteja aqui porque não sei dividir esse tipo de coisa com mais ninguém. eu preciso que você esteja aqui para ver o meu progresso no video-game que não tem mais graça jogar contra o computador. eu preciso que você esteja aqui porque sim. eu preciso que você esteja aqui. dentro de mim.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

O teatro é necessário!

PARA QUEM?

Tentativa de decifrar o saco:

Fica disso tudo o não saber. Fica uma vontade latente de contar certa trajetória que ainda não tem nome. Fica a imagem da CASA, seus habitantes. Fica uma pesquisa sobre espaço. O espaço onde essa CASA possa se fazer presente. Persiste o pensamento da casa como não lugar, como meio, como ponto de cruzamento de diferentes linhas. A CASA como um rizoma, sem início ou fim. Sem origem e destino. Só o miolo e o seu modo de estar, de se fazer presente.

Fica para a CASA e as evidências fragmentadas que carrega. Se for organizada por fora, é remexida, doída, caótica e poluída por dentro. Se for bagunçada por fora, por dentro é limpa, simples, plástica, exata. É a CASA, por si só, um paradoxo. Não exibe o que nela habita.

Seus personagens são lacunas, quinas, dobras, estantes e calendários. São pessoas comuns que, por determinado motivo, revelado ou não, foram obrigadas a reorganizar suas vidas. São seres humanos arrebatados, portadores de dores e prazeres pequenos. Pessoas que tentam se lembrar do que somos forçados a esquecer todos os dias.

Para esta CASA outro tempo. Outra pintura. Outro tom. Sistemas de convivência doméstica elaborados para lidar com o erro, com o acaso. Medidas de segurança, mentiras tidas como verdade. Loucurinhas, transtornos obsessivos dilatados em poesia, explodidos no espaço.

Quando um copo se quebra, ela repete ao marido que lhe ama. Quando a porta se abre, ele explica todas as doenças que já teve, das mais sérias a mais breve. No final, diz a todos que vai morrer da memória. Gostava de se tacar no chão. Muitas vezes para sentir a dor que este movimento era capaz de provocar. Quando foi Natal, ganhou de presente do pai um colchão e se tacou pela janela.

A CASA refém de seus habitantes e também o inverso desta afirmação. Não se sabe se o estado da CASA justifica quem nela mora ou se quem nela reside a justifica. A degradação interior e exterior. São histórias, pequenos fragmentos que não serão criados para gerar nos espectadores um estado passivo. Pelo contrário, a CASA é um convite. Ainda há vagas para diarista e acompanhante de idosos.

É.

Escrever é um demônio.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Pouco para muito eu vou dizer...

é muita data para pouca agenda. muita preocupação para pouca cabeça. muito problema técnico para pouco humano. muito lixo para pouco luxo. muita liberdade para pouca marca. muita gente para pouco nome. muito coração para pouco espaço. muito amor para pouco laço. é muita vida para pouco tempo. muito processo para pouco ensaio. muita fala para pouca boca. muito corpo para pouca imagem. muito movimento para pouca roupa. muito glamour para pouco sonho. é muita gente para pouco abraço. muita luz para pouco mistério. muito mistério para pouca luz. é muito desenho para pouco não lugar. muito não lugar para pouca afetação. muita bainha para pouca finitude. é muito louco para pouco analista. muito amendoim para pouco saco. muita lata para pouco mundo. muita idéia para pouco esboço. é muita música para pouco par. muita droga para pouca hora. muito amigo para pouco encontro. muita lembrança para pouca dor. muita saudade para pouca vontade. é muita alegria para pouca foto. muita foto para pouca memória. muito porco para pouca lama. muito caos para pouco ar. muito engarrafamento para pouca leitura. muito cigarro para pouco cinzeiro. é muita gritaria para pouco silêncio. muito beijo para pouco aperto. muito desejo para pouco colo e muito colo para pouco começo. é muita coisa para pouca estante. muito colar para pouco pescoço. muita gola para pouca nunca. muito nariz para pouco olfato. é muita aranha para pouca teia. muita cor para pouco tecido. muito calor para pouca roupa. muita alergia para pouco remédio. muio fogão para pouca abertura. muita garrafa para pouca água. é muita água para pouco oceano. é muito bom para pouco ruim. muito frio para pouco casaco. muita casca para pouca gema. muita lágrima para pouco olho. muito telefone para pouco ouvido. muito zunido para pouco mosquito. muita criação para pouco caderno. muita pose para pouco desfile. muito flash para pouco jornal. muito café para pouca conversa. muito chiclete para pouco dentista. muita gastrite para pouco dinheiro. muito teatro para pouca pauta. muita falha para pouca tentiva. muito erro para pouco acerto. muito acento para pouca palavra. muita frase para pouco verbo. é muito verbo para pouca ação. muita reação para pouca causa. muita consequência para pouco armário. muita vassoura para pouca sujeira. muito sorriso para pouco dente. é muita gente. muita.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Eu tento dizer, mas uso maquiagem.

quando você me olha, como olhou hoje, eu não sei se olha para mim ou para os meus lábios. quando o meu corpo pede o seu, como hoje, eu não sei se posso beijá-lo ou se faço da minha vontade, mais uma vez, poesia. quando você me olha desta forma, seu olhar tropeça, passa por meus olhos, nariz e termina na boca. o seu rosto ensaias lágrimas que, penso eu, nunca vou lhe ver derramar. eu queria que você não precisasse ser tão forte, que fosse menos cobrado, que se levasse menos a sério. eu queria poder dizer o que sinto e que tudo o que sinto pode ser inventado. como já inventei muitas outras vezes. eu queria que este sentimento, posto declarado, não atrapalhasse nossos trabalhos, nem nossa amizade. quando você me olha, como olhou hoje, eu quero ir embora, guardar comigo meu coração aos pulos, surtando em corponome. daí eu não sei mais que história conto e prefiro a calmaria falsa do meu lar do que a alegria incompleta do bar. eu queria que você soubesse que quando tomo coragem, como hoje, e lhe digo as coisas que disse, são elas que me movem. frequento alguns lugares por sua causa e sem você eles até perdem a graça. eu gosto também de te olhar de longe, ver os outros te paparicando. não tenho ciúmes. sei como és e o quão bem esses momentos fazem para a sua vaidade. acontece que para mim você é só você. que lhe vejo, e só gosto de lhe ver, quando você não tem um sorriso pronto, quando sua roupa não combina, quando a sua cara é mal dormida e seu cabelo não sabe o cocar que pesa. gosto de lhe ver com vergonha, cansado e suado. gosto de lhe ver sentado, no corredor, esperando algo que nem você sabe. gosto de lhe ver comum, assim estrangeiro, sem-teto, tentando cavar moradia em corações navegantes. gosto de lhe ver no samba, mas não com todos os pares. gosto quando dança com quem sabe dançar. gosto quando dedida sua atenção as pessoas certas e não as que estão de passagem. gosto de ti. quando você me olha, como olhou hoje, eu duvido da morte, do texto, da rubrica e da ribalta. eu duvido da arte, do que fazemos com ela, do sexo com proteção, da maconha e do terror. eu duvido do não lugar, das minhas próprias convicções, eu duvido de mim e, principalmente, do que sinto por você. poucas vezes eu tive a chance de preservar um sentimento desta forma, em segredo. e por isso também duvido. duvido do formato quadrado ou retangular que a maioria das pessoas destina a imagem de um cofre. duvido dos chaveiros e chaves. duvido das senhas, das digitais e da cartela do bingo comprada. eu te amo assim... pelas beiradas. faço da sua imagem loucura e penso nos filhos que nunca teremos, na casa de campo que eu nunca desejei e nos shows que nunca pensei em estar. penso no capim e do quanto você gosta do mato. eu detesto. penso em tudo. penso, sobretudo, no resto.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Apontamentos sobre o não lugar:

O não lugar é o meio, o entre, o encontro de linhas múltiplas que seguem para múltiplos caminhos. É a compreensão física do conceito de rizoma. Anular-se não é o caminho. Na verdade, é preciso encontrar o espaço do estar que já é, por si só, um não lugar. Ou seja, encontrar o espaço da abertura cíclica receptiva à afetação total. O não lugar não é estado, mas presença. Presente para poder se afetar de forma positiva ou negativa. A afetação pode tanto estar banhada de mistério como de luz, por exemplo. Possíveis ilustrações para o não lugar, de acordo com a mini defesa aqui elaborada, assemelhan-se a imagens de teias de aranha, mapas de linhas de metrô ou até mesmo ao processo de crescimento das bananeiras. O não lugar é o ponto de partida que não possui origem nem destino previamente definidos. Portanto, pode o não lugar ser também espaço para o exercício das propostas intuitivas, da reação direta a uma ação que não foi pensanda para gerar tal consequência. O não lugar é o ponto onde nossas trajetórias cotidianas se encontram sem nos darmos conta. É o esbarrão causado pelo pouso do pombo, que derrubou o sorvete da criança, que fechou o sinal, que esqueceu as chaves em casa, que pegou o ônibus errado, que sobrou dinheiro, manifestando dúvida. É a guimba de cigarro que não foi apagada, guirlanda de Natal pendurada, sete velhas sentadas enquanto, no Chile, tudo se movia. O não lugar é o cruzar de nossas linhas, todos os abraços fora de hora, todos os embaraços, amassos e gaiolas. O não lugar é um palpite a qualquer momento, a força do tempo, o "meu corpo atravessado". O não lugar é a sala de ensaio, a tentiva seguida da falha, o suor fruto da persistência que almeja antingir a suspensão através da prontidão. O não lugar é o lugar onde as identidades se liquefazem, seu nome já não lhe é próprio e pouco me importa a sua idade. Sua altura é arquitetura, seu jeito de andar - tempo/rítmo, seus gestos - imagens que procuro compreender pela repetição. Decupagem. Seu cansaço, superação. O não lugar é início do limite, o pico do caos, depois de lá onde "Judas perdeu as botas" e, por tudo isso, calmo. É também o hostórico de seu corpo, os movimentos que é capaz de realizar e perceber. O não lugar é o caminho que no meio tinha uma pedra, que no meio dela, tinha outra pedra, que no meio dela, uma outra pedra menor, que no meio dela, uma uma outra pedra menorzinha, que no meio dela, uma uma uma outra pedra nanica, que no meio dela,uma uma uma uma outra pedra quase invisível, que no meio dela, uma uma uma uma uma outra cisco de pedra, que no meio dela, uma uma uma uma uma uma outra possibilidade.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Rapidinho para não atrapalhar ninguém.

Só eu sei deste sentimento. Ninguém mais. Ele dorme e acorda comigo todos os dias. Cada vez que lhe vejo ele aumenta. Mas não sei se cresce. Aumenta porque se renova. Reestreia. Mas não sei se muda de tamanho. Vou dançando assim, sem par, porque descobri que desta forma me faço feliz. Pelo menos mantenho o meu corpo em movimento. As coisas nuncam foram simples do pescoço para baixo. Seus olhos, sorriso e nuca. Quantas músicas falam de nossa paixão? Eu me perco só em pensar que, por vezes, denuncio-me em pequenos gestos, olhares. Faz tempo que perdi a chave de meu compartimento. Faz tempo. E agora, são outras casas, outros povos, outras companias. E agora é mais você e seu jeito peculiar de me olhar nos olhos. Sabe que nunca sei se me leva a sério? Penso que não, mas também penso que sim. Eu gosto de pensar. Mantém o corpo em movimento. Faz tempo. "Há muitos anos mandei o meu amado embora e, desde então, morri".

sábado, 24 de abril de 2010

4 imagens para o saco. Arrebatamento.











Trabalhois de Antony Polizzi e Denis Darzacq.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Tentativa de dar nome ao aperto:

eu queria saber escrever sobre o que eu sinto.
meu coração está apertado.
são montanhas.

sinto falta de meus velhos amigos
eles estão muito ocupados.
assim como eu.

eu queria saber definir o que é isso.
minha vida anda solta.
tem um monte de vagão vazio.

sinto falta de permanecer em um só lugar.
eu queria dançar.
meu vestido rasgou na cachoeira.

nada mais faz sentido.
só o em pensar em ti.
e em tu, também.
é nessa coisa louca que nos envolve,
a cada encontro,
a cada conversa,
a cada bebida.
são seus olhos de tigre,
miha voz de gralha
e o teatro a nos abrigar.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Breve constatação:

Todos os problemas do mundo estão ligados ao afeto. de alguma forma.

Angra dos Reis

as pessoas são filhas de quem elas deveriam ser.
como disse, para Xambudo, um dia: para cada filho um pai.
como disse, muitas vezes, a mim mesmo, tentando compreender o sentido de minha família.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Para o saco:

- passava dias e noites olhando-se no espelho. perto, bem perto. analisava. com o terremoto machucou a face e perdeu os olhos.

- gostava de brincar de índio. capitão. pirata. cabana. ilha desconhecida. tesouros. gostava de inventar personagens, sobrepor as roupas do armário do pai. dividia os cômodos da casa, traçava caminhos, mapas. os parentes, aliados. os vizinhos, inimigos. foi em um dia desses de brincadeiras e sonho que, abrindo a última gaveta do pai, disparou o brinquedo que findou todas as suas batalhas fantásticas.

- ela não se lembra de seu nome. de quantos anos tem. não se lembra da cor de suas alegrias e nem de seu sexo. ela não se lembra de comer, de beber água e tem hora marcada para ir ao banheiro. comprometimento da família. ela não se lembra de vestir-se, da boa-educação e nem dos bons modos. seu olhar é perdido, vaga no espaço da casa. ela não se lembra de nada. a única coisa que ainda a motiva é o barulho que o telefone faz quando toca. todas as ligações são para ela.

- limpava meticulosamente cada canto, cada beirada de cada móvel da casa. havia nascido ali, dentro dela e nela ensaiado suas primeiras dores e alegrias. gostaria que todos os meses fossem Natal. a árvore montada durante o ano todo, esperando o pai abrir a porta com uma sacola cheia de presentes. ele não vem menina, dizem os irmãos. morreu. lembrou-se de quando era pequena.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

terça-feira, 13 de abril de 2010

Pira.

como é ver vocês sempre e não poder dormir junto?
como é cuidar de vocês, me preocupar e não saber se fazem o mesmo por mim?
como é estar apaixonado e não saber se é mesmo paixão o que sinto?
como é pensar em abandonar tudo para viver com vocês em uma cabana?
como é se render ao que é novo e não pensar mais nos antigos?
como é ver tanta graça e beleza em vocês depois de anos de convivência?
como é querer ter, colocar na estante, beijar na boca e não se arrepender?
como é pensar que a cerveja só é completa se bebida na cia de vocês?
como é só querer estréia com vocês bagunçando os camarins?
como é só querer lembranças com vocês nas fotos?
como é que se reciclam esses sentimentos?
como é que se dança esse novo amor?
como é que se explica o amor?
como é que vive o amor?
como é que se faz amor?

eu queria só um balão.
com todo mundo dentro.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Dever de casa.

O meu teatro ideal seria bem grande. O chão, independente da peça que estivéssemos ensaiando, ia estar sempre repleto de figurinos. Muito figurino e as pessoas iam poder vestí-los na hora que quisessem. O meu teatro ideal ia ter muitos quartos para que as pessoas pudessem dormir neles, morar neles também se precisassem. O meu teatro ideal ia ser repleto de fotos de antigos espetáculos e pessoas amigas, queridas e amadas. No meu teatro ideal ia ter um banheiro bem limpinho. O meu teatro ideal ia ter um cachorro. O meu teatro ideal ia ter aquelas luzinhas para que as velhinhas não tropeçassem depois que as luzes fossem apagadas. O meu teatro ideal ia ter um café, um espaço onde as pessoas pudessem se encontrar antes e depois dos ensaios para conversar ou só comer mesmo. No meu teatro ideal os atores iam chegar sempre na hora. O meu teatro ideal ia ser embaixo da minha casa e todas as peças iam atrasar, no mínimo, duas horas. O meu teatro ideal ia ser dentro de um floresta, com muitas árvores. Não. O meu teatro ideal ia ter só uma única ávore. O meu teatro ideal, talvez, nem tenha o nome de teatro ideal. No meu teatro ideal a gente ia ter muita maquiagem e também iríamos poder montar a peça que desse na telha. No meu teatro ideal...

O que não tem me deixado dormir, renovando o meu olhar a cada momento, movimento.

- Como se dança?
- Comofás para se elaborar uma coreografia?
- A dança parte da ação física?
- Quem enche uma garrafa de água dança?
- E quem enche 100 garrafas de água - uma atrás da outra... Dança?
- A repetição de um movimento sublinha o que foi dito ou diz de outra maneira?
- A variação rítmica do movimento envolve algum subtexto?
- O tempo do silêncio também é dança?
- Um movimento substitui uma palavra? Uma frase?
- Quem dança, mesmo fisicamente acompanhado, sempre dança sozinho?

terça-feira, 6 de abril de 2010

Tentando dar sentido ao saco!

Situações que passamos em CASA:

-dançou dez vezes a mesma música e só na última tirou alguém para dançar.

- explicou todas as doenças que já teve, das mais sérias a mais breve. no final, disse a todos que morreria da memória.

- depois da morte da mãe passou a pentear os cabelos dez vezes ao dia no mesmo tempo-ritmo. quando os seus acabaram passou a comprar uma boneca por dia para poder repetir a ação.

- arrumava as gavetas sempre da mesma forma. depois que o telefone tocou resolveu começar a arrumar os seus sentimentos.

- gostava de se tacar no chão. muitas vezes para sentir a dor que este movimento era capaz de provocar. quando ganhou de natal um colchão, se tacou pela janela.

Na tempestade Dória.

Brasileira, essa chuva é toda sua?

se for, lava a gente, por favor.
se for, sorri pra mim.
se for, me manda um sinal de que está tudo bem.
se for, nêga vc continua a mesma.
fazendo estardalhaço e espetáculo.

parabéns.
=*

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Ainda sobre o mesmo saco:

- no final ela tira os óculos e chora um rio de lágrimas. expõe todo o suor que conteve, quer dizer, que não lhe possibilitaram suar. no final ela se mostra viva. dentro da memória dele? chorava enquanto ele dizia? chorava enquanto ele a abraçava e ela não se movia? sentia.

- são janelas. muitas janelas de uma só CASA. o problema da CASA. "Era uma doença da Casa" - Bracher. Todos na casa lidando com finitudes diárias. pequenos e grandes fins que geram recomeços. o ato de ser arrebatado todos os dias.

- um espetáculo de "ous".

- ruínas. fragmentos. grandes discursos. pequenos objetos. maquinário cênico.

- momentos de cumplicidade. a CASA se desdobrando em espaços sagrados. o arrebatamento dos cantos. o movimento das portas. as beiradas da cama.

- o café acabou. é um fim. o café acabou e ela dança mesmo sem o pó.

anotações.
uma luz.
por favor, um carinho.

domingo, 4 de abril de 2010

Olha isso:

eu: me diz uma coisa?
Gabriel: digo
eu: oq vc acha sobre a finitude?
Gabriel: uma benção

Sabe qual é seu problema?

Ele disse que eu sou muito ALTOastral.

Moço, a minha tristeza é pequena. Ela corre pelas beiradas.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Irmãos do mesmo saco.

Quando penso no arrebatamento não gosto de pensar nas teorias religiosas que ele está inserido. Penso em sua consequência, no que ficou depois dele. No que ficou "depois que Ana me deixou". Eu quero falar sobre ele ou ela que agonizam, agora, a partidade alguém ou de algo. Mas o assunto também não é despedida. É muito maior, entende? Não tem desejos de sucesso, nem comunicação por mídias alternativas. Não tem como saber se depois o outro, o que partiu, esta bem nesse lugar obscuro que ele agora habita. O problema não é o ato da partida, mas sim o que ela ocasiona em quem fica. Em quem sofre a dor deste fim. Sim. A palavra em questão é FINITUDE. Se, tudo acaba mesmo um dia, como classificamos o espaço da memória, dos resíduos que ficam a latejar no corpo e na paisagem? Como classificamos o eterno relembrar, remoendo todo e qualquer tipo de questão que, hoje, já não faz o menor sentido. Quando penso no Arrebatamento, quero saber qual é o sentimento de ser arrebatado. Penso na visualidade, no sumiço, nas soluções cênicas para tal. Quando penso no Arrebatamento, penso em como dar continuidade as coisas sem aquela que me parecia principal. Penso em cores, muito movimento, seis atuantes e três histórias. "Olha, antes do ônibus partir eu tenho uma porção de coisas para te dizer...". Mas o tempo também é finito e, por isso, não nos deixa dizer por completo o que desejamos, queremos e sentimos. Quando penso no Arrebatamento penso naquelas pessoas que morreram, mas foram eternizadas por seus acompanhantes. A casa ainda é de quem partiu. As escolhas ainda são divididas, de algum modo, com esse que se foi. Penso também na bailarina a ensaiar sua partitura, tentado chegar na perfeição e só atingí-la no momento de seu próprio Arrebatamento. Sua glória e sua decepção. Juntas. Penso também no mote: "o que te dói e o que te salva?". Penso na recosntrução de histórias a partir de fragmentos em discurso elaborado por diferentes pessoas que, consequentemente, apresentam diferentes visões sobre o mesmo tema, assunto, cor ou objeto. Penso na Bracher e em seu Antônio. Penso na "Sinuca de baixo d`água" que ainda nem terminei de ler. Mas também penso por isso. Penso na morte de Antônia relatada por Camilo, Polaco e Bernardo que não sabem lidar com a finitude, por exemplo, da vida. Mas também penso na criança que é arrebatada quando o tempo da mamadeira não se justifica mais. Depois que ele deixou o coelho cair na hora mais importante alguma coisa aconteceu. Alguém foi arrebatado nesse momento. A casa, as crianças e as estantes jamais serão as mesmas. Mas o que, de fato, foi arrebatado foi a relação que se criou em torno do coelho. As situações simples podem se transformar em situações limites de acordo com o valor e subjetividade que transferimos a elas? Não sei. Situações limites, o corpo esperando, agonizando e tudo partindo, indo pelos ares para nunca mais voltar. Ventania, tempestade, trovão. A natureza sendo arrebatada todo dia pelas ações do homem que ainda não consegue compreender as consequências de sua indiferença. Uma doença, um chocolate e até um abraço na hora errada. Tudo pode criar uma situação de arrebatamento. Só me resta saber como. COMO? como transformar em palavras e ação o que dentro de mim não se explica? o que dentro de mim se extende por todo o meu corpo. o que dentro de mim não lida bem com o fim. nem com o término de ciclos que eu gostaria que pudessem ser infinitos. O Arrebatamento - a obrigatoriedade de saber dizer tchau. ou a constatação da perda. ou a razão pela qual você se foi. ou a vida pode continuar. ou eu nunca mais voltarei a Londres. ou vou manter você vivo na nossa cama. ou o que virá depois. ou nada mais faz sentido depois que você se foi. ou o medo de abrir a porta. ou a dificuldade dançar sozinho. ou a janela aberta para você pular. ou mil pessoas partindo. ou o céu sem limites. ou a dor que agora sinto. ou a brevidade da vida. ou o vestido que nunca usei. ou NO DIA DO ARREBATAMENTO ESTE CORPO FICARÁ DESGOVERNADO

segunda-feira, 29 de março de 2010

Desejo:

EU QUERIA QUE VOCÊ ME BEIJASSE OS PÉS.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Ipanema.

Ele me amou e depois se deitou.
quase lamentou ensaiar em não fumar um cigarro, me acompanhar.
fumou.
Eu disse que precisava tomar um banho.
não tem toalha.
arrumou.
Queria saber qual era a minha pira
e eu que pensava ter sido claro.
nu,
exposto,
rosto colado com rosto,
a minha pira é deitar aqui,
com você ao meu lado.
Sosse...
Voltei do banho,
ele já dormia.
Blusa, macacão verde,
um travesseiro para dois:
sôsse.
Depois Ela veio me chamar,
fomos.
Sai sem dizer nada.

Capo Raso

ele olhava para ele. no olhar se dizia, derretia. ele olhava para ele e no olhar não sabia que assim se abria. ele olhava para ele com amor. brincavam. riam. esperavam. o ônibus estava lotado, mas isso não fazia a menor diferença. ele estava com ele. eles estavam juntos filosofando sobre o ar que embaça as janelas quando chove muito e tudo se tranca. ele olhava ele. perto daquela porta, do meio sanfonado, dentro do grande objeto vermelho... nascia o amor.

terça-feira, 23 de março de 2010

Curtiba

cheirando a sexo.
ressaca.
muitos apartamentos.
muitos apartamentos.
cinema.
cinema.
cinema.
cinema.
cinema.
cinema.
mas o festival não era de teatro?
longe.
caro.
bem louco.
bethe canta todos os dias.
cantamos com ela.
não tem banco do brasil
e
o dinheiro do estado periga acabar.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Mensagem

Ele disse que precisamos conversar. Será?

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Projeto

Colocar em palavras o que ainda não se sabe como dizer. Fruto do desespero.
Eu queria me justificar por imagens.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Arrebatamento

O dia em que todas as pessoas e coisas ficarão desgovernadas.

Bonito,

depois de tudo o que nós conversamos, eu queria que:

você me ligasse, me convidasse para sair. me buscasse de carro em casa e me mostrasse aonde você mora e com quem. me apresentasse aos seus bichos e irmãos. eu queria que você respondesse as minhas mensagens, mas que também tivesse vontade de enviá-las. que você me levasse ao teatro, ao cinema, ao boliche. que vc descobrisse que eu sou fanático por bingos e me levasse em um desses clandestinos que tem aí pela Barra da Tijuca. eu queria que você notasse o meu cabelo novo, como voltei diferente da Argentina e as minhas mãos frias. Eu queria que você me desejasse, me levasse para a cama de um motel, me comesse de palavras e bebidas e quentes. eu queria que a sua voz fosse sempre a mesma e que eu pudesse ter a presença dela todos os dias da semama. presente, ausente, via satélite. eu queria que a gente fosse mais amigo, camarada, desse tipo de gente que dá tapinha nas costas e se diverte. eu queria que você me levasse para fofocar com você e as meninas, eu queria que elas fizessem questão da minha presença. eu queria que você lesse este blog e soubesse que escrevo para você. eu queria que você me levasse para viajar, me conhecesse um pouco mais, soubesse das minhas predileções e síndromes urbanas. eu queria que vc soubesse sobre os balões vermelhos, mas eu nem sei se tem graça dividir este tipo de conhecimento e assunto com você. eu queria que vc me perguntasse mais sobre o meu corpo, sobre as minhas experiências em outras vidas. se eu acredito em aura, sei lá. eu queria que vc pudesse notar que a minha pele está ficando melhor, que são os cremes. eu queria que você viesse a Niterói comigo um dia, que conhecesse o outro lado enorme de amigos que por aqui tenho. eu queria que você me cantasse uma música, me gravasse em um vídeo, eu queria que você dançasse para mim. eu gostaria que você me amasse.

Supermercado

Estou aprendendo como rever amores.

domingo, 31 de janeiro de 2010

Para o movimento.

Quando você me disse que ia fazer as malas e pedir carona na estrada até o Rio de Janeiro tudo ficou para trás. Eu, por alguns instantes, esqueci meu nome, minha identidade, meu sorvete predileto e meu sexo. Esqueci que estava também em outra cidade, outro país e consegui nos imaginar andando pelas ruas de Copacabana. Eu te levaria ao teatro, aos centros culturais, o levaria para todos os bons bares e clubs. Para as melhores livrarias, festas e amizades. Eu te levaria ao Cristo, muito alto se fosse preciso. Eu te apresentaria o mar de Ipanema, os meninos do projeto e lindas de Niterói. Você conheceria a Beatriz, a Alezina e todas as pessoas que me nutrem de amor e energia. Você poderia me chamar por qualquer nome, pois eu o chamaria de felicidade ou algo que ainda não tem nome. Eu o levaria para tomar um café também, ali na Santa Clara tem um delicioso. Nós faríamos mais coisas que o tempo permitisse. Mas você não vai vir e eu não o julgo por isso. Sei que és corajoso, muito. Mas sei também que os tempos são outros e, hoje, você está focado em estudar para definir o futuro de sua vida. Quer dizer, pelo menos a acadêmica. Eu sei que você não virá, mas isso não muda nada. Não muda os desejos, os sonhos e vontades. Não muda o meu sorriso, a minha cara boba, o meu coração milkshake ao pensar na possibilidade de lhe ter um dia aqui comigo. Por isso, continue fazendo juras. Promessas. pedidos, bilhetes, recados, loucuras. Suas atitudes mantém o que um dia criamos de mãos dadas. Hoje, o que já foi físico se transformou em poesia e não por isso menos interessante. Eu gosto de lhe beijar pelas minhas escritas. Gosto de te amar em cada vírgula de minhas frases. Gosto de pensar em um gemido, um medo derretido pelo ponto de exclamação. Eu gosto de fazer carinho usando dois pontos. Gosto de falar bobagem ao pé da orelha e entre aspas. Por fim, gosto do que nos tornamos. do que sou e somos.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Iemanjaci!



O meu amor é do mar.
O meu sonho é seu.
Este ano é meu.